Quando estou bem sozinho, sem ninguém por perto desligo o telefonee com som baixinho começo a viajar. Entre pensamentos e lembranças eu vou bem longe, o suficiente p/ esquecer que estou em um quarto frio e escuro, onde as sombras são uma constante.
Nestas viagens em que sonho acordado, eu pego minha moto, e sem destino eu vou acelerando entre caminhões e paisagens, entre o vento gelado e o calor do motor fumegante sob minhas pernas. Infelizmente, isso são apenas pensamentos, pois ainda as sombras continuam pintando as cenas do meu quarto gelado.
Pego o meu violão e as coisas começam a soar de modo diferente. Os acordes vão ecoando por toda a casa, trazendo a tona lembranças de velhos amores, de velhos sonhos.
Sinto meu coração batendo leve e calmamente, e os sons das notas se perdendo em meia a minha voz rouca e arranhada, tornando se músicas recheadas de estranhos sentimentos. Acho que de fato estou viajando, esta é hora de colocar os fones no ouvido e escutar aquela versão de Black que tem mais ou menos uns 10 minutos, onde os caras estão tocando p/ umas 100 mil pessoas que estão no mesmo estado em que eu me encontro agora, viajar na poesia distorcida das guitarras e tentar esquecer que neste exato momento eu não tenho "vc".